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Lenda I : Brigantia

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Betanzos Brigantia Sol-pôr no Cabo do Mundo. Subím à Torre de Hércules. Ò chegar em riba, atopei à Deusa Brigid suspensa no ar. Colheu-me da man e fiquei flutuando ao carom de Ela i entom acendeu o seu faro alumeando cara a América. E comezou a recitar docemente, poemas de Whitman : "No médio dos homens e das mulheres, na multitude. Sinto que el escolhe-me grazas a sinais segredas e divinas. Sem reconhecer a ningum outro, nim pai, nim nai, nim mulher, nim marido, nin irmao, nim filho, coma mais preto ca mim. Alguns enganam-se, mais el nom se engana, el conhece-me. Oh! Amador e igual perfeito. Eu quigem que me descubriras assim, por sendas débiles e endireitas. E Quando eu te descubra, quero descubrir-te tamém por sendas débiles e endireitas." Folhas de erva,  W. Whitman Foto:/ Betanzos        28 de Junho de 2019 Son do ar Moradelha editora

Lenda XVIII : Atenea

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Coruja de Sargadelos Atenea Sentado na banqueta do corredor, vim-lhe os olhos à coruja. Eu escrevia poemas, inspirado no tempo e as cores do espácio e de súpeto marchou a luz. E na escuridade apareceu a Deusa Atenea, disfarçada de homem. As suas mans secas e dedos longos raiavam-me os papeis e intentavam arrincar-me a chambra de linho, coma querendo roubar-ma. Entom eu saquei-na e dei-lhe-a e marchou zurnindo polo corredor, cada pouco mais ancho, mais grande e mais negro e desapareceu coma noitebra, disolvendo-se numa neboeira, coma se fora noite pecha e fria, com lua nova e ouveos. Se a tua mirada é limpa, teu corpo estará  alumiado. Se o que há en ti son noitebras, vivirás sempre na escuridade. 🌟 Moradelha editora

Lenda XVII : A Carvalha Língua

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Elegia da Língua -- o -- 1 No Ribeiro de Santomé havia um velho carvalho. Um dia prendêrom-lhe lume. Mandárom-no pra o caralho.  2 Ja há mais de quarenta anos, quedou tam só o pé do toro. Muitos carvalhos arcanos decotárom sem decoro. 3 E plantárom-lhe arredor uma dúzia de eucaliptos que queimou aquele verdor, onde deitavan-se os ventos. 4 Carvalha, Língua chamada, porque as suas folhas no outono, púnham-se da cor rosada, coma se foram um sono. 5 E mentres os eucaliptos que de medrar nom paravam, sentiam-se na terra gritos de raices que falavam. 6 O noso velho carvalho latejava co seu toro, coma um gigante bugalho, com tam sequer um só poro. 7 Tam só tinha um fio de vida, à espera do seu tempo, que ja viria em seguida, quando do eucalipto ò chimpo. 8 Um dia o Fénix e a Borralha, gatinhas irmás do Mundo, forom cheirar a carvalha, virom um retono ò fondo. 9 A dúzia dos eucalip...

Lenda VII : Amizade

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Amizade Sempre um desejo latente dumas grandes amizades, e case sempre deixam-se, escapa a oportunidade. Por nom fazer um esforço, Por soberba ou amor próprio. Ou por timidez ou medo, ou tamém por prejuízos. Amizades som círculos. Amizades som conjuntos. Juntam-se ou separam-se, convergem ou som tangentes. Podem ser tamém disjuntas, interseccionam, compartem, e podem sumar, ou restam. Amizades com amores, ou tamém com desamores, rifas, enganos e dores, ilusións ou desenganos. Perdem-se e reencontram-se. Amizades imposíveis, sonhos incompatíveis. Decotadas ou vetadas, proibidas, perigosas, e hai-nas interessadas. A amizade tem os seus graus, seus limites e seus riscos. Muito terreno que explorar. Nom renuncio à utopia de ter grandes amizades. 🌟 "Vós, dores da desilusom da amizade, ah !, as feridas mais crueis de todas." W.Whitman, Folhas de erva Foto : / A Gudiña, Via da Prata, Maio de 2014 Moradella editora